quarta-feira, maio 29, 2002
(para Expe e Gil, e por inspiração do André)
Será que eu estou me tornando mais e mais o que era aos quinze anos?
Bom, eu estou com trinta, o que significa que, considerando o presente momento, meus quinze anos marcaram o "meio" da minha vida. Até então, tudo tinha corrido dentro dos "conformes" - eu tinha passado sem traumas pela escola; já tinha sofrido minha primeira grande perda, a morte do meu avô materno; já tinha morado em três regiões diferentes do país e viajado por ele todo, graças a ter um pai militar; e estava me preparando pra entrar na universidade - isso, sim, o que eu considerava A mudança, O desafio. Dali pra frente, nada seria como antes...
Naquela época, aos quinze anos, primeiro ano da faculdade de Jornalismo, os meus grandes amigos eram a Vitória, a Ana, o Afonso e o Kleber. Ainda sou muito amiga dos quatro. A filhinha do Afonso, a Helena, faz aniversário sábado, e hoje eu vou ao shopping procurar um presente pra ela. Algumas amizades que vieram pelo caminho entre os 15 e os 30 ficaram, outras se desvaneceram. E, como a Gil, eu tenho tentado mais e mais ter as pessoas que eu amo por perto. Bem perto, de preferência.
Aos quinze anos, eu ouvia RPM - me lembro que chorei porque meu pai não deixou que eu fosse ao show deles no Geraldão - e começava a me interessar por rock'n'roll. Hoje eu acho o Paulo Ricardo um palhaço, e o que eu estou ouvindo, vocês sabem :)
Londres era um sonho distante. Hoje, é uma lembrança feliz e um plano futuro.
Eu torcia desesperadamente pelo Senna e odiava o Prost. Hoje, eu sofro pelo Villeneuve, torço pelo Montoya e odeio o Schumacher. Mas já amava a Fórmula 1 desde pequenininha.
Como a Gil, eu achava que podia fazer tudo o que eu quisesse. Hoje, eu faço a maioria das coisas que quero. E estou correndo atrás do resto delas!
Vivia em pé de guerra com meus pais, embora sempre tenha amado os dois loucamente. Hoje, ainda moro com eles, numa tranquilidade só. Não foi fácil, mas é possível. Basta ter respeito, diálogo e confiança.
Eu sonhava em ser diretora ou roteirista de cinema. Tinha até o meu discurso prontinho pra cerimônia do Oscar (dei boas risadas a respeito disso com outro grande amigo da faculdade, o Eduardo, quando nos encontramos em janeiro em Sampa). Hoje, eu só quero criar coragem pra escrever meu livro, fazer mestrado e ir ensinar numa faculdade.
Acho que aquela garota de quinze anos ainda vive em algum lugar dentro de mim, até mesmo em alguns posts aqui no blog. Mas ela está feliz lá no passado. E se a mulher que eu sou hoje pudesse dizer alguma coisa a ela, seria: "continue sonhando, acredite nas pessoas - algumas vão te esfaquear nas costas, mas outras vão te segurar - e fique tranquila, tudo vai ficar bem".
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Viviane at 11:41:00 AM
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