segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Truman Capote: I couldn't have done anything to save them. Nelle Harper Lee: Maybe not, Truman. But the truth is, you didn't want to.

Truman Capote era um consumado filho da puta. Amoral até o osso, capaz de pagar para que o elogiassem até na frente da melhor amiga (que, obviamente, sabia de cada um dos truques dele), e de ir a extremos pra conseguir a história que se tornou a obra da sua vida. Mas a que preço? Philip Seymour Hoffman tem uma atuação tão precisa que meu queixo bateu no chão, mas acho que a total falta de sentimento que ele imprime à interpretação (que Kelnner achou apropriada) é justamente o grande problema. Capote era afetado, narcisista, egoísta, manipulador e inescrupuloso, mas não consigo ver o homem totalmente desprovido de sentimentos (e dá pra ver uma faísca desses sentimentos na cena final). Uma pena que Clifton Collins Jr, o ator que faz Perry Smith não levou uma indicação a coadjuvante - a narração que ele faz do assassinato é aterradora: "Eu achei que ele era um cavalheiro, e continuei a pensar assim até o momento em que cortei sua garganta". Céus.
Enfim, como é improvável que Ritmo de Um Sonho entre em cartaz antes da cerimônia e não vai dar pra ver o Terrence Howard, e apesar de eu achar que a Academia vai mesmo premiar o Hoffman, minha torcida é pro Heath Ledger - de longe, a interpretação mais corajosa e comovente, e pela surpresa de ver um ator apenas simpático se tornar um grande ator no espaço de um filme.
E vamos ver Brokeback Mountain hoje de novo, claro :)
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Viviane at 8:41:00 AM
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